Capítulo Quatro · A Última Carta

2 Timóteo: O Canto do Cisne de Paulo

A última carta de Paulo, escrita num calabouço frio e acorrentado como um criminoso, para o herdeiro mais próximo do seu ministério.

Identidade do Livro

Título. 2 Timóteo, a segunda de duas cartas inspiradas que Paulo escreveu para o seu filho na fé (1.2; 2.1). É intitulada com o nome do destinatário, semelhante às outras cartas pessoais de Paulo (1 Timóteo, Tito e Filemom).

Autor. O apóstolo Paulo. Os dois primeiros versículos apresentam claramente o autor e o destinatário. Paulo escreveu 2 Timóteo, a última de suas cartas inspiradas, pouco antes de ser morto por causa de sua fé, por volta de 67 d.C.

Tema central em uma frase. Perseverar na proclamação do evangelho, mesmo nas circunstâncias mais adversas, é a última palavra de um pai espiritual para o herdeiro do seu ministério.

2 Pedro é o canto do cisne de Pedro, como 2 Timóteo é o canto do cisne de Paulo. Ambas as epístolas colocam um sinal de alerta ao longo do caminho peregrino que a Igreja está viajando.

Dr. J. Vernon McGee

Versículo-Chave

Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.

2 Timóteo 2.15

Para Quem e Com Qual Propósito

Paulo escreveu esta carta a Timóteo (1.2) e à igreja em Éfeso (4.22). O jovem já ministrava ali havia quatro anos, e fora um servo fiel de Paulo desde que saiu de casa com o apóstolo, mais de uma década antes.

Esta é a última carta de Paulo, escrita ao seu companheiro mais próximo. Embora pudesse pensar em suas próprias realizações, o apóstolo está mais interessado em garantir que Timóteo esteja preparado para continuar o trabalho. A ênfase dupla da carta é a perseverança e a fidelidade à verdade.

Talvez Paulo temesse que Timóteo estivesse correndo o risco de enfraquecer espiritualmente. Por isso o exorta a manter viva a chama do seu dom (1.6), a substituir o medo pelo poder, pelo amor e pelo equilíbrio (1.7), a não se envergonhar do evangelho (1.8) e a apegar-se à verdade (1.13–14). Em resumo, Paulo conclama Timóteo a fortificar-se (2.1) e a continuar a pregar a palavra (4.2).

Data e Lugar de Escrita

Não mais uma casa alugada, mas um calabouço.

Paulo escreveu esta segunda carta durante seu segundo encarceramento em Roma, pouco antes da morte, provavelmente em 66–67 d.C. Em contraste com o primeiro encarceramento — quando vivia numa casa alugada e podia receber a todos (Atos 28.30) — ele agora sofria num calabouço frio (4.13), acorrentado como um criminoso comum (1.16; 2.9). Seus amigos até tiveram dificuldade em descobrir onde ele estava (1.17).

Fígelo, Hermógenes, "todos na província da Ásia" (1.15) e Demas (4.10) o abandonaram. Crescente, Tito e Tíquico estavam fora; somente Lucas estava com ele (4.11). Paulo ansiava por Timóteo (1.4) e duas vezes pediu-lhe que viesse em breve (4.9, 21).

A tradição diz que Paulo foi decapitado — sua cidadania romana o isentaria, sob as leis romanas, da morte por tortura prolongada. O homem que começou perseguindo a fé cristã acabou, no final, morrendo por ela.

O Livro em Números

4
Capítulos
25
Imperativos
a Timóteo
4
Discursos de
despedida na Bíblia
3.16
A passagem-chave
sobre inspiração

A forma verbal mais frequente é o imperativo do singular na segunda pessoa. Nenhuma novidade é comunicada a Timóteo, apenas lembranças do que ele já sabe, com a exortação de se apegar a isso — cerca de 25 admoestações diretas e poucos elogios.

O gênero é semelhante ao discurso de despedida, como os de Moisés (Deuteronômio), Josué (Js 23–24), Davi (1 Cr 28–29) e Jesus (Jo 14–16). E a passagem 3.16–17 é a declaração decisiva do NT sobre a inspiração das Escrituras: "Theopneustos" significa "expirada ou soprada por Deus", de "theos" (Deus) e "pneu" (respirar, soprar).