Segunda Estrofe · Salmos 46.4, 7

O Rio que Alegra a Cidade

Do mar que ruge para um rio que canta. A segunda estrofe muda inteiramente a paisagem, e revela onde, afinal, está a fonte da serenidade.

Rio sereno atravessando a cidade de pedra ao amanhecer dourado — o rio que alegra a cidade

Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; não se abalará; Deus a ajudará, já ao romper da manhã.

Salmos 46.4, 5 · ACF

O Grande Contraste

O mar que ruge, o rio que alegra.

Estrofe anterior

O mar que ruge

Águas que se perturbam, montes que despencam, o caos ameaçando engolir o mundo. É a água como força hostil, indomada, o terror das nações.

Esta estrofe

O rio que alegra

Correntes serenas que percorrem a cidade de Deus. A mesma água, agora mansa e doadora de vida, não a ameaça, mas o sustento de quem confia.

Jerusalém não tinha grande rio. Não se erguia às margens do Nilo nem do Eufrates, como as cidades imperiais que viviam de suas águas. E é justamente esse o ponto: o rio da cidade de Deus não é geográfico, é a própria presença do Altíssimo. Onde Deus habita, brota uma corrente que nenhuma seca alcança.

O Segredo da Cidade

A razão da estabilidade está em quatro palavras: "Deus está no meio dela." Não nas muralhas, não no exército, não na altura das torres. A cidade não se abalará, o mesmo verbo usado para os montes que se abalam na estrofe anterior. Os montes podem tremer; a cidade de Deus, não.

E há um tempo nessa promessa: "Deus a ajudará, já ao romper da manhã." O socorro chega ao alvorecer, depois da noite mais longa. É a imagem da libertação que vem quando a escuridão parecia definitiva, quando o cerco já se dava por vencido, e amanhece.

As nações se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.

Salmos 46.6, 7 · ACF

Veja o poder desproporcional. As nações se embravecem com todo o seu estrondo; os reinos se movem. E o que Deus faz em resposta? Apenas levanta a sua voz, e a terra inteira se derrete. O tumulto das nações contra um único sussurro divino: não há disputa. A palavra Dele basta.

Então retorna o refrão, pela primeira vez: "O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio." Repare nos nomes. Ele é o Senhor dos Exércitos, soberano sobre todos os poderes celestes e terrenos. E é o Deus de Jacó, o Deus que se ligou a um homem falho, e por ele a um povo. Poder infinito e proximidade fiel, na mesma linha.

Selá · uma pausa para respirar