Parte V · As Cenas
Oito momentos em que a carta atinge seu ponto mais alto, cada um ancorado em um versículo que se grava na memória.
Tiago 1.2–8
Tiago abre com um paradoxo: alegrar-se nas provações, porque elas produzem perseverança, e a perseverança leva à maturidade. Quem não sabe como reagir deve pedir sabedoria a Deus, que dá a todos generosamente.
"Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não faz censura; e ser-lhe-á concedida." — Tg 1.5
Tiago 1.19–27
O cristão deve ser fazedor da Palavra e não apenas ouvinte, comparado a quem olha o próprio rosto no espelho e logo se esquece de como é. A religião pura e sem mácula é visitar os órfãos e as viúvas em sua tribulação (1.27).
"Sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, iludindo-vos a vós mesmos." — Tg 1.22
Tiago 2.1–9
Tiago condena a prática de dar ao rico o melhor assento enquanto se manda o pobre sentar no chão, chamando-a de discriminação e violação da lei real: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (2.8).
"Não fazeis distinção entre as pessoas? E não vos tornastes juízes com maus pensamentos?" — Tg 2.4
Tiago 2.14–26
O ensino mais debatido de toda a epístola. Dizer "Eu creio em Deus" sem agir não é fé, é concordância intelectual: até os demônios creem assim e estremecem (2.19). Abraão, que ofereceu Isaque, e Raabe, que abrigou os espias, provam que a fé age.
"Assim também a fé, se não tiver obras, por si mesma está morta." — Tg 2.17
Tiago 3.1–12
Tiago compara a língua a um pequeno fogo capaz de incendiar uma floresta inteira, e a descreve como um "mundo de maldade" que nenhum ser humano pode domar. O paradoxo: com a mesma boca bendizemos a Deus e amaldiçoamos homens feitos à sua imagem (3.9–10).
"Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que assim seja." — Tg 3.10
Tiago 4.1–10
Tiago revela a raiz de todos os conflitos: as paixões que guerreiam nos membros (4.1). O remédio é a humildade radical: "Resisti ao diabo e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus e ele se chegará a vós" (4.7–8).
"Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes." — Tg 4.6 (citando Pv 3.34)
Tiago 5.13–18
Tiago instrui sobre a oração pelos doentes, com unção de óleo pelos presbíteros, prometendo que a oração de fé salvará o enfermo (5.14–15), e cita Elias como um homem de natureza semelhante à nossa cuja oração impediu e trouxe a chuva por três anos e meio.
"Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo." — Tg 5.16b
Tiago 5.10–11
Tiago convoca os leitores a tomarem os profetas como modelo de paciência no sofrimento e aponta Jó como testemunha do desfecho misericordioso de Deus.
"Ouvistes falar da paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe proporcionou; porque o Senhor é muito misericordioso e compassivo." — Tg 5.11