Parte I · O Diagnóstico

Cada um com a sua verdade

O relativismo raramente chega como ataque frontal. Chega como gentileza, uma frase educada que, sem alarde, retira de Deus o direito de ter dito algo verdadeiro para todos.

Caminho de pedras entre colinas ao pôr do sol — muitos atalhos, uma só verdade

Pergunte a alguém hoje se existe uma verdade absoluta e, muitas vezes, a resposta virá embrulhada em tolerância: "o que é verdade para você pode não ser para mim". A frase parece nobre. Ela promete paz, respeito, fim das brigas. Mas, quando aplicada à Palavra de Deus, ela faz algo silencioso e grave: rebaixa a revelação ao nível de preferência.

O relativismo, em essência, ensina que não há verdade válida para todos, apenas verdades pessoais, culturais, do momento. Transportado para a fé, ele sussurra que a Bíblia não revela a realidade, apenas sugere um caminho entre muitos. Cada leitor vira autor; cada gosto vira critério.

Quando tudo é verdade, nada é verdade.

O custo escondido da tolerância sem fundamento

A Inversão

A verdade deixou de ser descoberta e passou a ser inventada.

A visão bíblica

A verdade existe fora de mim. Eu me curvo a ela.

A visão relativista

A verdade nasce em mim. Ela se curva a mim.

Onde ele se esconde

Duas portas pelas quais o relativismo entra.

Na conversa

"Respeito a sua opinião"

Diante de um mandamento claro, troca-se a pergunta "é verdade?" pela pergunta "você se sente confortável com isso?". A obediência vira questão de gosto.

No coração

"Meu Deus não seria assim"

Cria-se um deus à própria imagem, que aprova tudo o que eu já queria. A Escritura é filtrada: fica o que agrada, descarta-se o que confronta.

"

Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências.

2 Timóteo 4.3

Paulo descreveu o nosso tempo com precisão. O relativismo não é um inimigo novo, é a velha tentação de fazer a verdade caber no nosso desejo. Antes de combatê-lo, precisamos reconhecê-lo. E, para reconhecê-lo, é preciso voltar ao princípio: ao jardim, onde a primeira dúvida foi semeada.